domingo, 25 de maio de 2014

Atibutos Morais de Deus - Aula 12 - A Justiça de Deus

A JUSTIÇA DE DEUS

Este atributo de Deus, é bastante falado, contudo se fala apenas de alguns aspectos desta justiça, e alguns ainda deturpam esta justiça. É por isso que existem pessoas que não crêem na doutrina da eleição por exemplo, porque não possuem uma verdadeira compreensão da Justiça de Deus. Eles alegam que se Deus é justo deve escolher a todos ou não escolher ninguém, e mesmo que expliquemos textos claros da Escritura que nos mostrem a escolha de Deus (por exemplo: João 15: 16), eles não compreendem, porque não possuem uma compreensão sadia sobre a JUSTIÇA DE DEUS.
A justiça pode ser definida como sendo a justa retribuição por aquilo que alguém faz, ou não faz para atender a Lei, ou desviar-se dela. Olhando para a justiça divina também a relacionamos com a Lei, mas com a Sua Santa Lei.
A JUSTIÇA DE DEUS, está relacionada com a SUA SANTIDADE, e esta expressa na SUA SANTA LEI. Assim dizemos que Deus é justo no sentido de que Ele não pode deixar impune qualquer violação da Sua Lei, porque violar a Lei de Deus é violar a Sua Santidade.
Deus se relaciona com as criaturas humanas nos termos da sua justiça, quando Ele não deixa impune qualquer transgressão da Lei, é por isso que o BREVE CATECISMO assim diz:
“O que é pecado?
Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou qualquer transgressão desta lei:.
BC. Pergunta 14

Esta resposta do BC, certamente está baseada no que diz João acerca  do pecado:

“Todo aquele que pratica o pecado, também transgride a lei de: porque o pecado é a transgressão da lei”.
1 João 3: 4

Olhando desta forma todos os homens estão sujeitos à Justiça de Deus e ao seu veredito, e isto é patente quando lemos Romanos 6: 23, onde fica bem claro que o pagamento, ou a retribuição para o pecado é a morte. Pela Sua justiça, Deus se vê obrigado a punir todos os homens pois todos ofenderam e ofendem à Sua santidade, contrariando a Sua lei. A Justiça de Deus poderia ser observada por muitos prismas, contudo iremos nos ater somente à Sua ação punitiva contra o pecado.

A JUSTIÇA ESTÁ LIGADA À PENALIDADE PELO MAL
Não seria possível compreender Deus se Ele não punisse o mal. Pois se Ele próprio determinou um pacto de obediência como prova para o homem (em Adão), e ao cumprimento desta prova haveria uma recompensa, a vida ou a morte, se Ele não punisse o mal, Ele não seria mais um Deus de verdade, soberania, santidade e outros atributos, e assim não seria coerente consigo mesmo Deus. É por este motivo que a Justiça divinal pune o mal. Leia Romanos 2: 5 à 8.
A própria natureza de Deus não permite que Ele deixe o pecador sem punição, e esta punição na Bíblia é descrita pela ira de Deus que é derramada sobre os transgressores.
Não precisamos esconder a ira de Deus para adular os pecadores, e enganá-los apresentando somente um Deus amoroso, e mostrar a sua justiça como uma questão secundária, como uma justiça frouxa, pelo contrário o próprio Deus faz questão de revelar a alto e bom som que a sua ira será derramada:

“A ira de Deus se revela do céu contra toda a impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça”.
Romanos 1: 18

Muitos dizem que esta demonstração de ira da parte de Deus não combina com o seu ser, pois Deus deixa de ser um Deus de amor e passa a ser um Deus de terror. Este pensamento é enganoso, pois primeiramente se Deus deixar de se irar contra o pecado Ele está sendo injusto para consigo mesmo. Eu pergunto a você: Um Deus perfeitamente Santo, pode permitir que o pecado continue a ser praticado sem uma punição, pode um Deus Soberano estabelecer uma Lei Santa e não punir a infração desta Lei, pode um Deus que é verdadeiro, dizer que vai punir todo pecador e não fazê-lo?

A QUEM DEUS VAI PUNIR?
Já falamos que Deus pune todo pecado, e lemos que todos somos pecadores, e vimos que a punição é a morte (em todos os sentidos) e que esta é executada pela sua justiça revelada na sua ira. Bem, se todos somos pecadores e tal punição terá que acontecer, isto quer dizer que todos seremos punidos?
A resposta à esta pergunta é SIM!!
Todos os pecados serão punidos. É preciso salientar que Deus ama o pecador pois foi Ele quem o criou, mas Deus abomina o seu pecado, e por isso se vê obrigado a punir o pecado, e tal punição trás consequências óbvias para o pecador.
Mas você pode estar perguntando: Como é que fica aquela história de Deus perdoar os pecados?
Para responder à esta pergunta gostaria de dividir a justiça de Deus em duas partes[1]:
a) OPERAÇÃO DIRETA
b) OPERAÇÃO INDIRETA
A Justiça divina é necessária, jamais falhará, jamais irá além ou aquém do necessário. Todo pecado será punido, e todo aquele que pecar também. Contudo há duas formas desta justiça ser operada. A primeira eu chamo de OPERAÇÃO INDIRETA, e a segunda de OPERAÇÃO INDIRETA ou VICÁRIA.
Na primeira o pecador paga diretamente por seus pecados e assim é punido, na segunda o pecador tem um substituto para pagar os seus pecados, e então este substituto é quem é punido.
 
A PUNIÇÃO DOS PECADORES SEM CRISTO
A Bíblia fala desta punição de forma tremenda, mas talvez seja o Apocalipse que trate o assunto de forma mais direta e mais calamitosa:
“(...) E foram julgados, um por um, segundo as suas obras. Então a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no livro da vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo”.
Apocalipse 20: 13 à 15.
Estes são os pecadores sem Cristo, eles terão que cumprir com a pena à eles prescrita, na Bíblia (o salário do pecado = a morte), e isto farão pessoalmente. Porém tal penalidade é extremamente justa, e porque é justa ela é eterna, sem jamais ter um fim. Falo assim porque existem pessoas que insistem em dizer que o inferno não é eterno, e eu afirmo que é, não só pelas muitas referências à sua eternidade que está claramente demonstrada na Escritura mas especialmente por conta do seguinte pensamento:
Pense comigo, o pecado é uma transgressão da Lei de Deus, que é Santa? Sim. A Lei Santa de Deus é uma expressão da Sua própria santidade? Sim. Deus é eterno? Sim. Se Ele é eterno Ele sempre teve os mesmos atributos que tem hoje e terá amanhã? Sim. Podemos então dizer que a santidade de Deus também é eterna? Sim. Então o pecado é uma ofensa contra um atributo eterno, a santidade? Sim. Responda-me então:
Porque a penalidade deve ser passageira? E outra; se a penalidade um dia passar, significa que o pecador conseguiu pagar?
Se você conseguir responder à estas perguntas sem dizer que o inferno é eterno, você ainda não entendeu a extensão das ofensas dos nossos pecados.

A PUNIÇÃO DOS PECADORES COM CRISTO
Respondendo àquela pergunta inicial, quero repetir: Deus está punindo o pecado e não necessáriamente o pecador. Assim digo: Deus pune a todos, contudo os cristão que receberam a graça[2] de Cristo, são punidos mas não pessoalmente (diretamente), mas sim vicáriamente (indiretamente). É Cristo que recebe a punição por eles.

“Mas Ele (Jesus) foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele (Jesus), e pelas as suas pisaduras fomos sarados. (...) mas o Senhor fez cair sobre Ele (Jesus) a iniquidade de nós todos”.
Isaías 53: 5 e 6

Não quero me delongar mais, pois esta é uma matéria que trataremos mais tarde na questão da salvação, o nosso ponto aqui é a realidade do cumprimento da justiça de Deus em Cristo Jesus, que o fez em nosso lugar.
Crer nessa justiça praticada contra o nosso pecado é o alvo central da fé, pois foi este sacrifício que nos libertou de uma culpa eterna, tanto é eterna esta culpa que nada mais nada menos que o Deus eterno teve que vir pagar tal divida em nosso lugar, pois não teríamos jamais condições de pagá-la diretamente. Isto é perdão!!!!!

“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”.
Romanos 5: 1

“Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos salvos da ira”.
Romanos 5:9.

Porque Deus é justo, Ele tem que punir o pecado, e porque Ele é amor Ele providenciou um substituto (Jesus) para receber a punição no lugar de pecadores.
Este atributo divino deveria conduzir-nos à meditação: Primeiro, para que nossos corações sejam divinamente inculcados do ódio que Deus tem ao pecado, e para que aprendamos a odiá-lo, também; Segundo, para gerar em nossos corações um temor a Ele (Hebreus 12: 28 e 29); Terceiro, para elevar nossas almas em fervente louvor por haver-nos livrado da ira vindoura (1 Tessalonicenses 1: 10).



[1] Lembre-se sempre que esta é uma divisão somente didática, com isto não queremos de forma alguma que você pense que os atributos de Deus podem ser divididos.
[2] Volte um pouco na apostila e leia sobre a graça de Deus.

domingo, 20 de abril de 2014

Atributos Morais de Deus - A Graça - Sinais da Obra da Graça - Aula 7/8

Sinais da Obra da Graça

Recorrendo à Escritura, descobrimos que há uma grande variedade da manifestação da graça na vida dos crentes. Todo cristão precisa fazer uma profunda auto-avaliação em busca dos sinais da graça na sua vida. 
O crescimento da influencia das obras da graça do Senhor na nossa vida é um sinal de evidência da presença e crescimento da ação do Espírito Santo na nossa vida. Então, o ponto de partida é compreender que estas obras, são primordialmente realizadas pelo poder do Espírito, por isso é graça. Mas, elas nos levarão a um comprometimento pessoal e isto também é obra da graça do Senhor. 

A necessidade de crescimento na graça
A Bíblia nos fala que Jesus teve crescimento na graça. Este crescimento do Senhor é o principal paradigma para a afirmação da necessidade do nosso próprio crescimento na graça. Ao falar do Salvador e de como crescia na graça. As Escrituras dizem que ele se desenvolvia em duas grandezas: "diante de Deus" e "diante dos homens". 

E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens (Lucas 2.52). 

Crescimento na graça diante de Deus
Crescer na graça diante de Deus implica em um aumento gradativo do amor que devemos devotar a Deus. Ele vê o nosso coração. Então, trata-se de um crescimento que se destaca principalmente pela sua característica introspectiva. É um valor que se define no âmbito do coração mais profundo. 

Crescimento na graça diante dos homens
Já crescimento na graça diante dos homens tem uma relação com os valores que demonstramos através de atos explícitos de fé, mudança de caráter e santificação das nossas vidas. 

Sinais do Crescimento na Graça Diante de Deus

Alguns dos sinais do crescimento na graça diante de Deus acontecem no mais íntimo do nosso coração e são obras exclusivas do Espírito Santo de Deus. Entre elas, encontramos a obra da regeneração e da fé. 

Pela Graça os Homens são Regenerados
A regeneração é o processo inicial da nossa nova vida em Cristo Jesus. Homens só podem nascer de novo quando Deus, por sua graça, lhes concede nova vida, por meio do Espírito Santo. 
Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher com parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações (1 Pedro 3.7).
O novo nascimento é sempre uma obra da livre graça de Deus. Ele é o ponto inicial da nossa relação pessoal positiva ou ativa com Deus. Se consideramos a "eleição da graça" (Romanos 11.5) como uma obra da graça, devemos também considerar que ela não revela um envolvimento ativo do ser humano, mas no novo nascimento, uma relação pessoal se estabelece através de uma mudança na vontade do homem, que passa a se inclinar a Deus de forma positiva e ativa. 

Pela Graça os Homens são conduzidos à fé
A fé salvadora e toda a inclinação para crer e confiar em Deus é uma obra da graça. Sem a inclinação do coração provocada graciosamente pelo Espírito Santo não haveriam nenhuma disposição humana para as coisas de Deus. 
Porque, pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós; é dom de Deus (Efésios 2.8). 
As Escrituras nos dizem que os homens sem a assistência graciosa do Espírito Santo não podem caminhar na direção certa (Romanos 3.10-18). Esta inclinação para crer nas coisas de Deus é uma mudança que somente Deus pode produzir, quando Ele, por meio do seu Espírito, incute em nosso coração a inclinação para as coisas do Espírito (Romanos 8.5-9). 

Sinais do Crescimento na Graça Diante dos Homens

Os sinais do crescimento na Graça diante dos homens são mais evidentes que os primeiros, porque eles são mais práticos e se revelam por meio da atividade da nossa vida no reino de Cristo e em favor das outras pessoas. 

Pela Graça nos Tornamos Servos Uns dos Outros
Uma das mudanças mais significativas operadas pela graça em nosso coração é a inclinação do nosso coração para amar a Deus acima de todas as coisas. Isto implica em uma profunda alteração na natureza humana pecaminosa, que é o abandono ao egocentrismo. 
Um dos mais importantes sinais de que estamos no caminho da graça e do abandono do egocentrismo é a realização prática de ações em favor do próximo, mesmo em detrimento de nossos próprios interesses. 
Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus (1 Pedro 4.10). 
O potencial do serviço ao outro é uma obra da graça de Deus. Evidentemente, isto é obra da graça quando o egocentrismo é lançado fora e em nenhuma medida determina as nossas ações. 

Pela Graça somos capacitados para o serviço mútuo
O serviço que prestamos ao nosso próximo é o dispensar da multiforme graça de Deus. Ele se manifesta nas variadas maneiras como os cristãos são usados por meio dos seus dons da graça.
E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo. Por isso, diz: Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens  (Efésios 4.7-8). 
A capacitação para o serviço mútuo é sempre uma obra da graça. Ela é a preparação para o pleno exercício de nossa nova natureza centrada em Deus e nossa nova inclinação para o Espírito Santo. 


Pela Graça somos chamados e enviados para pregação da Palavra
A pregação da Palavra é uma das mais sublimes tarefas do ser humano. Pois a pregação da Palavra de Deus é o anúncio fiel da verdade sobre o ser humano e o do plano de Deus para o seu resgate do pecado. A pregação da boa nova da salvação é uma obra da graça e o mais importante serviço do crente neste mundo.
Entretanto, vos escrevi em parte mais ousadamente, como para vos trazer isto de novo à memória, por causa da graça que me foi outorgada por Deus, para que eu seja ministro de cristo Jesus entre os gentios, no sagrado encargo de anunciar o evangelho de Deus, de modo que a oferta deles seja aceitável, uma vez santificada pelo Espírito Santo (Romanos 15.15-16). 

Pela Graça nos tornamos participantes da expansão do Reino de Cristo
A expansão do Reino de Cristo neste mundo é a proliferação da mensagem da salvação e o ensino fiel dos ensinos de Jesus a todos os lugares do mundo. A fundação de igrejas é uma das maneiras como espalhamos o Reino e o ensino do Evangelho. 
Somente pela graça é que realmente fazemos o bom trabalho de um evangelista e passamos a ser cooperadores do Evangelho. 
Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como prudente construtor; e outro edifica sobre ele. Porém cada um veja como edifica (1 Coríntios 3.10). 
O espalhar do Reino de Cristo nunca é a obra de apenas uma pessoa. Na verdade, Deus trabalha do modo como quer, por meio dos seus instrumentos humanos. Ele é o SEnhor da obra, mas pela graça, concede-nos o grande privilégio de nos tornarmos cooperadores do Evangelho. 

Pela Graça nos é que somos movidos à ajudar o próximo
Toda verdadeira obra de assistência ao próximo é espiritual quando produzida pela graça de Deus. A consolação dos que sofrem, tanto quanto a ajuda financeira ou de qualquer outra ordem material é fruto da manifestação da graça entre os homens. 
Este tipo de ministério pode ser desenvolvido por políticas públicas ou institucionais, entretanto somente a graça pode nos fazer pensar no próximo e ajudá-lo como fruto de nossa nova vida em Cristo Jesus. 
Ora, nosso Senhor Jesus Cristo mesmo e Deus, nosso Pai, que nos amou e nos deu eterna consolação e boa esperança, pela graça, consolem o vosso coração e vos confirmem em toda boa obra e boa palavra (2 Tessalonicenses 2.16-17).
A graça é portanto o caminho de Deus para nos mover na direção certa de agradá-lo, servindo ao próximo e cuidando daqueles que ele mesmo nos conceder o privilégio de assistir. Quando movido pela graça, a obra de ajuda e assistência aos que precisam nunca será um peso ou um problema para a igreja ou para quem quer que seja (2 Coríntios 8.1-4). 

CONCLUSÃO
Os sinais da obra da graça manifestam entre nós que Deus realmente opera em nosso coração. Não ter estes sinais não significa que não temos sido salvos pela graça, mas que ainda precisamos amadurecer a nossa fé a ponto de realmente mostrarmos ao mundo quem somos e o Cristo a quem amamos. 
Por outro lado, a ausência destes sinais podem nos apontar o caminho mais seguro para nossa jornada. Qual seja o caminho de pedir a Deus que manifeste sua graça em nós e por meio de nós. 

domingo, 30 de março de 2014

Atributos Morais de Deus - Aula 06 - A Graça de Deus

A GRAÇA DE DEUS
Dos atributos relacionados à bondade, este é o que mais nos causa alegria. Esta perfeição divina só é revelada àqueles que Ele chamou das trevas para a sua maravilhosa luz, esta é uma atividade na qual Deus visa somente aqueles seus filhos eleitos.
Os cristãos de um modo geral definem este atributo da seguinte maneira: “graça é um favor imerecido”. E  eu creio que esta definição consegue dizer o que é graça, sem contudo mencionar a abrangência desta verdade.
Eu diria que: “Graça é o favor divino manifesto à criaturas pequenas e indignas, no qual Ele de sua livre e espontânea vontade resolve redimir estas criaturas à despeito de seus deméritos, por isso mesmo não olha méritos pessoais nestas criaturas e delas não exige nenhuma compensação”.
A graça é diferente da sua misericórdia, pois nesta Deus não nos dá aquilo que merecemos, e na graça Deus nos dá aquilo que não merecemos. E justamente porque recebemos aquilo que não merecemos, não podemos nunca dizer que o temos por direito e então reivindicar como se fosse uma dívida de Deus para conosco, pois se assim fosse não seria graça.
A graça é a mais pura manifestação da bondade divina para com seu povo, pois é pela sua graça que Ele nos salva, nos redime do pecado. Se Deus pela sua misericórdia resolve enviar Jesus, é pela graça que Ele aplica a obra salvadora de Cristo à todos nós os teus filhos.
“Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça. E se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça”.
Romanos 11: 5 e 6

A Escritura fala da GRAÇA DE DEUS e à ela atribui algumas características:

Não que esta graça somente tenha um caráter inestinguível, como algo que dure para sempre e nunca acaba. Mas o ponto central desta questão é que a graça não foi idealizada agora, ou na morte histórica de Jesus na cruz, mas se refere ao fato de que a graça foi proposta antes de haver mundo, ou homens, ou mesmo antes de haver luz.
“(...) que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos”.
2 Timóteo 1: 9  
Todas as questões que envolvem a nossa salvação foram resolvidas desde antes da fundação do mundo, a Bíblia trata este assunto de forma abundante, com uma variedade enorme de textos ensinando esta verdade (Leia: Tito 1: 2; 1 Pedro 1: 18 à 20; Apocalipse 17: 8 e outros). Infelizmente a maior parte dos homens teimam em não aceitar este fato claro das Escrituras, e quando descobrem que a Bíblia é clara, partem para outras fontes de revelação, pois acham que isto é por demais duro, então preferem ouvir verdades que estejam segundo o desejo de seus próprios corações (Leia: 2 Timóteo 4: 3 e 4). 

Com esta expressão queremos afirmar que Deus manifesta a sua graça a quem Ele quer, pois assim como Ele é, também é a sua graça, soberana.
E isto é o mesmo que dizer: Deus salva a quem Ele quer salvar.
Tal expressão ofende por demais os orgulhosos, que querem fazer com que Deus seja como eles, pois querem que Deus retribua às suas bondades, com bondade. Irmãos, se Deus passar a agir assim teremos que admitir que nosso Deus está então submisso a nós e às nossas obras. Pois, agora Ele se torna somente um gerenciador de boas ações, Ele inclusive perde a autoridade de comandar nossas ações boas, como vimos anteriormente.
A Igreja Presbiteriana, tem pela soberania divina um profundo respeito, esta é a mola mestra de toda a doutrina reformada (calvinista). Pois cremos que a Bíblia revela para nós um Deus que é soberano, e por isso afirmamos A GRAÇA DE DEUS É SOBERANA, portanto o seu lugar é o trono, pois os soberanos se assentam em seus elevados tronos, conforme afirma o autor aos Hebreus.
“Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, afim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”.
Hebreus 4: 16

A seguir vamos delinear algumas das obras que a Escritura atruibue à GRAÇA DE DEUS. Gostaria porém de salientar que Deus não age dividido, como se num momento agisse somente com a graça, em outros somente com a sabedoria ou etc, estamos querendo mostrar, momentos em que a Escritura deixa em clara evidência a ação da graça divina. E também não podemos limitar as obras da graça de Deus somente à esta lista.
*                     Primeiro, toda a obra da salvação e redenção do pecador é atribuída à graça, pois esta é a expressão da sua bondade. (Efésios 2: 4 à 7).
  • Pela graça os homens são escolhidos por Deus. (Romanos 11: 5 e 6; Gálatas 1: 14 e 15).
  • Pela graça os homens são regenerados. (1 Pedro 3: 7).
  • Pela graça os homens são justificados. (Romanos 3: 24; Tito 3: 7).
  • Pela graça os homens recebem o dom da fé. (Efésios 2: 8).
  • Pela graça os homens são santificados. (1 Pedro 5: 10).
  • Pela graça os homens entram na glória. (1 Pedro 5: 10).
  • Pela graça os homens servem mutuamente. (1 Pedro 4: 10).
  • Pela graça os homens recebem os dons espirituais. (Efésios 4: 7).
  • Pela graça os homens são chamados para o ministério da Palavra. (Romanos 15: 15 e 16).
  • Pela graça os homens lançam-se à obra de fundar Igrejas. (1 Coríntios 3: 10).
  • Pela graça os homens recebem consolação e socorro. (2 Tessalonicenses 2: 16 e 17).
  • Pela graça os homens recebem libertação do perigo. (Atos 27: 23 e 24).
  • Pela graça os homens contribuem para o auxilio dos outros (2 Coríntios 8: 1 à 4).
  • Pela graça os homens podem viver no mundo com sabedoria. (2 Coríntios 1: 12).
  • Pela graça a Palavra de Deus é dada. (Atos 14: 3).
  • Pela graça o evangelho é dado. (Atos 20: 24).

domingo, 16 de março de 2014

Atributos Morais - Estudos em Teontologia - Atributos Comunicáveis - Aula 05/2014

ATRIBUTOS MORAIS DE DEUS

A manifestação dos atributos divinos concita a nossa alma à adoração do seu ser. Pois a sua perfeição revelam a beleza de sua glória e santidade. 
Nesta aula, seguiremos estudando estes atributos, observando-os de uma nova face, que diz repeito à santidade e amor com que Deus se relaciona conosco. Nos atributos intelectuais, vislumbramos, pelas Escrituras, um pouco da sua mente, hoje veremos um pouco mais o coração de Deus, através de outro grupo de atributos que são os ATRIBUTOS MORAIS.

A BONDADE DE DEUS

A bondade de Deus é um atributo dos mais reverenciados pelos cristãos. Hoje em dia e em todos as eras da Igreja cristã, tem-se falado dessa bondade. Apesar de tantas pregações e de tantas vezes os crentes repetirem a expressão; “Deus é bom”, homens e mulheres de Deus têm perdido a noção do verdadeiro significado do que é a BONDADE DE DEUS.
A bondade de Deus é de natureza diferente da bondade humana.
Quando afirmamos que este ou aquele homem é bom, primeiramente observamos suas atitudes e a maneira como tal homem se comporta, ou mesmo o que diz ou como reage a determinadas situações. Portanto podemos dizer que, para avaliarmos se um homem é bom ou não, necessitamos provas de sua bondade.

Deus, diferentemente do homem, não revela a sua bondade apenas através do exercício de atos bons, ele o é essencialmente. A Bíblia simplesmente afirma que "Deus é bom". Então, simplificando a linguagem, Deus é bom e não apenas porque faz coisas boas. 

“(...) Porque me chamas bom? Ninguém é bom, senão um, que é Deus”.
Lucas 18: 19

AS MANIFESTAÇÕES DA BONDADE DE DEUS
BONDADE PARA COM TODAS AS CRIATURAS
Esta é a perfeição do Criador, na qual Ele se apresenta solicito em cuidar e preservar toda a sua criação. 
Olhando desta forma, podemos dizer que Deus é bom para todos, homens bons e maus, animais, plantas a terra e tudo o que existe. (leia Salmo 104: 1 à 35)

“Em ti esperam os olhos de todos e tu, a seu tempo, lhes dás alimento. Abres a mão e satisfazes de benevolência a todo vivente”.
Salmo 145: 15 e 16

O dia à dia revela que Deus dispensa sobre todos sua bondade, basta vermos que tanto homens bons e regenerados, como ímpios que praticam a iniquidade, recebem a luz do sol, respiram o mesmo ar e desfrutam de prazeres e alegrias, mesmo que de maneira diferente, mas são alvos da bondade de Deus.

“(...) para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque Ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos”.
Mateus 5: 45

Contudo uma grande distinção deve ser considerada à esta altura. Sim, pois seria muito simplista dizermos que Deus é bom para com todos e não mostrar que também existe uma diferença na manifestação direta da sua bondade para com cada homem. 
Uma pergunta que os crentes costumam pensar é: Eu sou justo e sirvo a Deus, e meu conhecido é ímpio e nada quer com Deus, mas vejo que Deus tem sido mais bondoso para com ele, que para comigo, pois eu trabalho, trabalho, e ainda não consegui conquistar metade, da metade da metade, do que possui meu vizinho.

O AMOR DE DEUS

O amor de Deus é uma das facetas da sua bondade, nele vemos o relacionamento afetivo de Deus com os homens caídos.

AMOR SOBERANO

Primeiramente temos que corrigir um erro muito comum, que é o de exigir que Deus nos ame na proporção em que o agradamos. Como já vimos anteriormente, nosso Deus não é como os homens que age por influência externas, ao contrário Ele sempre age segundo a sua soberana e livre vontade.
Romanos 9: 11 à 13, é um texto que exemplifica de forma bastante clara, que o amor de Deus independe de nossas atitudes. Veja que Paulo usou um texto do Velho Testamento que se encontra em Malaquias 1: 2 e 3, e demonstrou a natureza do amor de Deus. Que é o amor de um soberano que faz segundo a sua vontade.

AMOR QUE RESGATA OS PECADORES

1 João 4: 10, mostra que o amor de Deus não é um resultado do nosso amor por Ele, pelo contrário Ele nos amou mesmo quando nós ainda sequer pensávamos em buscá-lo. Pelo contrário Paulo diz que Ele nos amou quando ainda éramos seus inimigos, estávamos fracos e doentes (Romanos 5: 6 à 11). Nosso estado antes de encontrarmos com o amor de Deus era um estado de morte, e com seu grande amor com que nos amou Ele nos deu vida (Efésios 2: 1).

AMOR ETERNO

Ao contrário do amor dos homens, o amor de Deus por nós não acaba, pois é eterno. Se Deus é eterno, todos os seus atributos também são eternos, e o seu amor não é diferente.
Jeremias 31: 3, mostra bem a eternidade do amor de Deus. Este amor só pode ser eterno porque ele não se baseia em nós e em nossas atitudes, mas na vontade de Deus.

AMOR QUE VENCE TUDO

Frequentemente vejo as pessoas insinuando que se não fizermos isto ou aquilo, Deus irá deixar de nos amar. Eu pergunto a quem diz isto: O que é que faz Deus me amar ou deixar de me amar?
Este seria um Deus por demais semelhante ao homem, que necessita ser estimulado a fazer as coisas, certamente este não é o Deus ensinado nas Escrituras Sagradas. O Deus que a Bíblia apresenta levantou reinos e derrubou reinos para ver seu povo consigo, venceu tudo e todos, venceu o nosso maior inimigo porque nos amou, empenha todos os esforços para resgatar os seus filhos e nada pode nos arrebatar das suas mãos (João 10 28). Romanos 8: 37 à 39, muito prontamente confirmam esta verdade absoluta sobre o amor de Deus.

Você à esta altura deve estar se lembrando que eu coloquei uma pergunta muito comum entre os crentes, relacionada com a bondade de Deus dispensada entre homens bons e maus !!!

O amor de Deus que é soberano, que resgata, que é eterno e que tudo vence, só é dispensado de maneira salvadora aos justos, que Ele de forma soberana resgatou, limpou em Cristo Jesus seu filho. É possível que você viva muitos anos sobre a face da terra e nunca chegue a gozar de diversas bençãos que seus vizinhos e amigos que não amam à Deus gozam, talvez você jamais ganhe um prêmio de loteria, ou jamais venha a ter um trabalho que lhe remunere melhor que todos os outros; bem tudo isso pode acontecer durante toda uma vida, mas ao final de um longo período poderá ser vista de forma clara toda a bondade que Deus dispensa aos seus filhos amados.
É justamente por conta desta tendência humana de ser sempre muito prático, que o profeta Malaquias registra em seu livro as seguintes palavras:

“Vós dizeis: Inútil é servir a Deus; que nos aproveitou termos cuidado em guardar os seus preceitos e em andar de luto diante do Senhor dos Exércitos? Ora, pois, nós reputamos por felizes os soberbos; também os que cometem impiedade prosperam, sim, eles tentam ao Senhor e escapam.
Então, os que temiam ao Senhor falavam uns aos outros; o Senhor atentava e ouvia; havia um memorial escrito diante dele para os que temem ao Senhor e para os que se lembram do seu nome. Eles serão para mim particular tesouro, naquele dia que preparei, diz o Senhor dos Exércitos; poupá-los-ei como um homem poupa a seu filho que o serve.
Então, vereis outra vez a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não serve”.
Malaquias 3: 14 à 18

A PACIÊNCIA DE DEUS

Uma outra face da bondade de Deus é revelada na sua paciência. Mas só é de fato possível entender a paciência de Deus depois de conhecer a enormidade da nossa provocação.

A PROVOCAÇÃO DOS ÍMPIOS

Muitos homens e mulheres que Deus criou, jamais se aproximam verdadeiramente de Deus, e mesmo sabendo que existe um Deus não se inclinam diante dEle, nem lhe prestam respeito. Usam o seu Nome de qualquer forma e inclusive fazem de Deus um objeto de desprezo (Romanos 1: 28 à 32). Não bastasse somente desprezar à Deus, existem aqueles que ainda se lançam a cometer atos horrendos que desagradam não só à Deus mas também aos seus próprios semelhantes. Que dizer então daqueles que se afastaram de Deus e se voltaram para a criação de Deus e adoraram as criaturas como a vaca, o macaco, os bezerros, os touros, o sol a lue e etc. Muitos também se voltaram para os homens e fizeram imagens dos homens ídolos e se prostraram e os adoraram e mais neles puseram a sua confiança.
Estas provocações à fúria de Deus são extremamente graves e acontecem aos milhares durante um minuto de vida da existência humana, imagine se fizermos as contas de quantas vezes, aconteceu desde que este mundo foi criado !!!

A PROVOCAÇÃO DOS JUSTOS

Eu, sinceramente, creio que estas são as piores provocações que são cometidas contra Deus. Digo isto porque penso que nós deveríamos sempre estar diante de Deus com louvores, e honrando o seu nome todos os momentos de nossas vidas, mas, percebo que na maioria das vezes o povo de Deus, está com seu pensamento em outras coisas, muitas das vezes, agindo de maneira que desagrada à Deus, trocando-o por lazer, comida, dinheiro, amizades e outras coisas. O povo de Deus que deveria ser exemplo para o mundo, acaba por sendo em muitos casos escândalo.
Irmãos, estou plenamente convencido de que o povo de Deus o provoca quando despreza o conhecimento de Deus, revelado na palavra. E na maior parte das igrejas são poucos os irmãos que se aproximam da Escritura diáriamente, e menor ainda é o número daqueles que fazem da Bíblia uma regra de vida. Deus através de Isaías compara seu o povo à animais irracionais. (Isaías 1: 3)
Todas estas provocações que consideramos não incluem os nossos pecados cotidianos, que são ofensas à santidade de Deus. Ao somar as provocações dos ímpios e dos justos, de todas as gerações que já existiram sobre a face da terra e ainda existirão, teremos o resultado necessário para entendermos verdadeiramente a PACIÊNCIA DE DEUS.

A MANIFESTAÇÃO DA PACIÊNCIA DE DEUS
Basicamente, podemos dizer que a Paciência de Deus pode ser definida como, aquela perfeição do criador, que provoca o retardamento[2] da manifestação da sua ira, e isto ocorre de vários modos.
a)    Sua paciência é manifesta quando Ele faz reiterados avisos e constantes advertências por causa dos pecados dos homens. Jó 33: 13 e 14. Antes de destruir o mundo no período de Noé, Deus pediu à Noé que durante 120 anos pregasse a destruição e o arrependimento.
b)   Sua paciência é manifesta quando Ele pune com certa tristeza. Deus não tem prazer na morte dos ímpios e nem na sua condenação, nem se alegra quando nos disciplina e para isto precisa nos afligir. (Lamentações 3: 33; Ezequiel 18: 32).
c)     Sua paciência é manifesta quando Ele retarda seu julgamento mesmo quando os homens não dão nenhum sinal de arrependimento. Mesmo a despeito de todos os pecados que provocam sua ira, Deus deixa os homens por longo tempo sem receber a punição que merecem. (Eclesiastes 8: 11).
d)   Sua paciência é manisfestada quando Ele envia os seus julgamentos gradativamente. Como já dissemos, Deus dá muitas advertências antes de propriamente revelar o seu juízo, mas mesmo quando Ele revela os seus juízos aos homens o faz de forma gradativa. Leia Joel 1: 4 e veja de que maneira Deus manda seus juízos contra os que lhe desobedecem. Primeiro um mal, depois outro, depois outro um pouco pior e assim por diante.
e)    Sua paciência é manifestada quando seus juízos são sempre mais moderados que merecemos. A provocação da raça humana contra Deus nos faz merecedores de castigos muito piores, e de sermos exterminados imediatamente, contudo mesmo quando nos castiga, Deus é paciente e não dá largas a toda a sua indignação, isto é, não derrama sobre nós todo o cálice de seu furor. (Salmo 78:38).

A MISERICÓRDIA DE DEUS

Assim como o AMOR e a PACIÊNCIA, a MISERICÓRDIA DE DEUS, é apenas uma das muitas maneiras de se perceber a BONDADE DE DEUS.
Quando estudamos a MISERICÓRDIA DE DEUS, podemos ver Deus tendo extrema compaixão do mundo caído, incluindo todas as suas criaturas.

A MANIFESTAÇÃO DA MISERICÓRDIA DE DEUS

Deus é misericordioso. Esta é uma afirmação que percorre todo o ensino bíblico, e não se pode dizer que está relacionado somente com os seus filhos, antes as misericórdias do Senhor estão sobre todos os homens e não somente sobre os homens, mas sobre toda a criação. A esta misericórdia que atinge toda a criação, animais, plantas, terra, àgua, homens (bons e maus) chamamos:

MISERICÓRDIA GERAL.

A misericórdia é necessária num estado de necessidade. E é justamente neste estado de necessidade que toda a criação está, pois o pecado afetou-a num todo como é dito em Romanos 8: 20 e 22. E a toda esta criação Deus sustenta, dando a todos o necessário para que continuem a viver, tanto a animais irracionais, como aos micro seres, como aos seres inanimados, como também ao homem. Leia Salmo 104: 27 à 29.
O Salmo 145:9, fala da misericórdia de Deus que permeia toda a criação.

“O Senhor é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras”.
Salmo 145: 9

MISERICÓRDIA ESPECIAL

Esta diz respeito aos seres humanos que se encontram em estado miserável de queda espiritual. Isto tem haver com todos os homens, pois Deus olha para o estado em que se encontram, e pelo menos por algum tempo, não os trata da maneira que eles merecem ser tratados.
Mesmo com todas as ofensas que são praticadas contra Deus todos os dias, Deus não retribui a cada um na medida em fazem por merecer, e ainda os permite gozarem de uma certa alegria e satisfação na vida. Lamentações 3: 22 revela que as misericórdias de Deus são o motivo pelo qual não somos todos consumidos, pois elas se renovam todos os dias.
Contudo esta MISERICÓRDIA ESPECIAL, está mais ligada àqueles que temem a Deus.

“A sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem”.
Lucas 1: 50

Uma boa definição de misericórdia seria:
Misericórdia é a atitude de Deus de não nos dar aquilo que nós merecemos, na intensidade em que merecemos.
Pois o que nós justamente mereceríamos era a punição pelos nossos pecados, mas Ele não nos pune, antes nos justifica em Cristo Jesus. E o fato de não nos punir revela a sua misericórdia especial.

MISERICÓRDIA SOBERANA

Esta misericórdia é dada somente aos filhos da promessa, que irão receber a salvação. Estes filhos da aliança, ou promessa, ou ainda filhos do pacto de Deus, são chamados na Bíblia de descendência de Abraão. Não é necessário ser judeu para ser descendente de Abraão segundo o pacto, é necessário sim, ser filho de Deus, adotado por Ele mediante a fé em Jesus o Cristo.
Assim é correto dizer que nós fomos feitos filhos de Deus e portanto descendentes de Abraão[3] e desta forma também é correta afirmação de que a MISERICÓRDIA ESPECIAL DE DEUS está sobre nós:

“Amparou a Israel, seu servo, a fim de lembrar-se da sua misericórdia a favor de Abraão e de sua descedência, para sempre, como prometera aos nossos pais”.
Lucas 1: 54 e 55

Mas você pode dizer: A misericórdia do Senhor não dura para sempre? (Salmo 136) Então se Ele um dia punir os outros homens que não são do pacto quer dizer que a sua misericórdia vai acabar?
Para responder a sua pergunta gostaria de primeiro dizer que Deus jamais pode deixar de ser misericordioso, pois esta é uma qualidade essencial dEle. Portanto, o salmista está correto em afirmar que a misericórdia do Senhor dura para sempre.
Porém, uma coisa é Deus ser misericordioso e outra é Ele querer manifestar a sua misericórdia. Entenda que Deus não está obrigado a manifestar a sua misericórdia, porque Deus é um ser totalmente livre em sua vontade, e Ele manifesta a sua misericórdia a quem Ele quiser, Romanos 9: 14 à 18, deixa bastante claro este ponto.
Mas muitos insistem em que Deus deveria manifestar sua misericórdia diretamente a todos os seres humanos, pois eles imaginam que Deus faz isto porque tem compaixão do estado em que todos os homens se encontram. Mas se esquecem de que Deus não manifesta a sua misericórdia motivado por nada em nós. Não é porque estamos em sofrimento, ou porque estamos tristes que Ele resolve ser misericordioso para conosco, não; Ele é misericordioso motivado por Ele mesmo, pelo uso de sua Livre, soberana e independente vontade. É por isso que chamamos a misericórdia de Deus de MISERICÓRDIA SOBERANA.
Esta compreensão da misericórdia divina deve nos fazer enxergar nossa extrema necessidade, nosso estado de miséria e de total incapacidade. E uma vez que estivermos conscientes disto louvarmos à Deus pois Ele tem agido de forma misericordiosa em nossa vida.

A GRAÇA DE DEUS

Dos atributos relacionados à bondade, este é o que mais nos causa alegria. Esta perfeição divina só é revelada àqueles que Ele chamou das trevas para a sua maravilhosa luz, esta é uma atividade na qual Deus visa somente aqueles seus filhos eleitos.
Os cristãos de um modo geral definem este atributo da seguinte maneira: “graça é um favor imerecido”. E  eu creio que esta definição consegue dizer o que é graça, sem contudo mencionar a abrangência desta verdade.
Eu diria que: “Graça é o favor divino manifesto à criaturas pequenas e indignas, no qual Ele de sua livre e espontânea vontade resolve redimir estas criaturas à despeito de seus deméritos, por isso mesmo não olha méritos pessoais nestas criaturas e delas não exige nenhuma compensação”.
A graça é diferente da sua misericórdia, pois nesta Deus não nos dá aquilo que merecemos, e na graça Deus nos dá aquilo que não merecemos. E justamente porque recebemos aquilo que não merecemos, não podemos nunca dizer que o temos por direito e então reivindicar como se fosse uma dívida de Deus para conosco, pois se assim fosse não seria graça.
A graça é a mais pura manifestação da bondade divina para com seu povo, pois é pela sua graça que Ele nos salva, nos redime do pecado. Se Deus pela sua misericórdia resolve enviar Jesus, é pela graça que Ele aplica a obra salvadora de Cristo à todos nós os teus filhos.

“Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça. E se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça”.
Romanos 11: 5 e 6

A Escritura fala da GRAÇA DE DEUS e à ela atribui algumas características:

A GRAÇA DE DEUS É ETERNA

Não que esta graça somente tenha um caráter inestinguível, como algo que dure para sempre e nunca acaba. Mas o ponto central desta questão é que a graça não foi idealizada agora, ou na morte histórica de Jesus na cruz, mas se refere ao fato de que a graça foi proposta antes de haver mundo, ou homens, ou mesmo antes de haver luz.

“(...) que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos”.
2 Timóteo 1: 9  

Todas as questões que envolvem a nossa salvação foram resolvidas desde antes da fundação do mundo, a Bíblia trata este assunto de forma abundante, com uma variedade enorme de textos ensinando esta verdade (Leia: Tito 1: 2; 1 Pedro 1: 18 à 20; Apocalipse 17: 8 e outros). Infelizmente a maior parte dos homens teimam em não aceitar este fato claro das Escrituras, e quando descobrem que a Bíblia é clara, partem para outras fontes de revelação, pois acham que isto é por demais duro, então preferem ouvir verdades que estejam segundo o desejo de seus próprios corações (Leia: 2 Timóteo 4: 3 e 4). 

A GRAÇA DE DEUS É SOBERANA

Com esta expressão queremos afirmar que Deus manifesta a sua graça a quem Ele quer, pois assim como Ele é, também é a sua graça, soberana.
E isto é o mesmo que dizer: Deus salva a quem Ele quer salvar.
Tal expressão ofende por demais os orgulhosos, que querem fazer com que Deus seja como eles, pois querem que Deus retribua às suas bondades, com bondade. Irmãos, se Deus passar a agir assim teremos que admitir que nosso Deus está então submisso a nós e às nossas obras. Pois, agora Ele se torna somente um gerenciador de boas ações, Ele inclusive perde a autoridade de comandar nossas ações boas, como vimos anteriormente.
A Igreja Presbiteriana, tem pela soberania divina um profundo respeito, esta é a mola mestra de toda a doutrina reformada (calvinista). Pois cremos que a Bíblia revela para nós um Deus que é soberano, e por isso afirmamos A GRAÇA DE DEUS É SOBERANA, portanto o seu lugar é o trono, pois os soberanos se assentam em seus elevados tronos, conforme afirma o autor aos Hebreus.

“Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, afim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”.
Hebreus 4: 16

AS OBRAS DA GRAÇA

A seguir vamos delinear algumas das obras que a Escritura atruibue à GRAÇA DE DEUS. Gostaria porém de salientar que Deus não age dividido, como se num momento agisse somente com a graça, em outros somente com a sabedoria ou etc, estamos querendo mostrar, momentos em que a Escritura deixa em clara evidência a ação da graça divina. E também não podemos limitar as obras da graça de Deus somente à esta lista.

Primeiro, toda a obra da salvação e redenção do pecador é atribuída à graça, pois esta é a expressão da sua bondade. (Efésios 2: 4 à 7).
  • Pela graça os homens são escolhidos por Deus. (Romanos 11: 5 e 6; Gálatas 1: 14 e 15).
  • Pela graça os homens são regenerados. (1 Pedro 3: 7).
  • Pela graça os homens são justificados. (Romanos 3: 24; Tito 3: 7).
  • Pela graça os homens recebem o dom da fé. (Efésios 2: 8).
  • Pela graça os homens são santificados. (1 Pedro 5: 10).
  • Pela graça os homens entram na glória. (1 Pedro 5: 10).
  • Pela graça os homens servem mutuamente. (1 Pedro 4: 10).
  • Pela graça os homens recebem os dons espirituais. (Efésios 4: 7).
  • Pela graça os homens são chamados para o ministério da Palavra. (Romanos 15: 15 e 16).
  • Pela graça os homens lançam-se à obra de fundar Igrejas. (1 Coríntios 3: 10).
  • Pela graça os homens recebem consolação e socorro. (2 Tessalonicenses 2: 16 e 17).
  • Pela graça os homens recebem libertação do perigo. (Atos 27: 23 e 24).
  • Pela graça os homens contribuem para o auxilio dos outros (2 Coríntios 8: 1 à 4).
  • Pela graça os homens podem viver no mundo com sabedoria. (2 Coríntios 1: 12).
  • Pela graça a Palavra de Deus é dada. (Atos 14: 3).
  • Pela graça o evangelho é dado. (Atos 20: 24).


É visto que a MANIFESTAÇÃO DA BONDADE DE DEUS, se dá de várias maneiras diferentes, ou seria melhor dizer de várias faces diferentes, a saber: O AMOR, A PACIÊNCIA, A MISERICÓRDIA E A GRAÇA.


domingo, 9 de março de 2014

Atributos Intelectuais - Estudos em Teontologia - Atributos Comunicáveis - Aula 04/2014

No estudo passado, quando abordamos os ATRIBUTOS INCOMUNICÁVEIS de Deus, enfatizamos a grande distinção existente entre Ele e as suas criaturas. A partir de agora,  observaremos um outro aspecto do ser de Deus, pois analisaremos os ATRIBUTOS COMUNICÁVEIS de Deus e, portanto, trabalhar com aquelas qualidades do ser divino que foram compartilhadas com a sua criatura humana e que compõem parte de um aspecto maior da nossa criação à imagem e semelhança dEle. 

Esses atributos, ainda que tenham sido compartilhados conosco, não fazem da criatura Deus. Eles apenas compõe a nossa natureza e nos habilitam a refletir Deus na Criação. Em Deus, eles se apresentam infinitos em intensidade, extensão e perfeição, em nós, são limitados e, por causa da condição do pecado, imperfeitos.

Seguiremos um padrão de estudos, dividindo estes atributos em três categorias, conforme propôs o Rev. Dr. Heber Carlos de Campos, em seu livro "O Ser de Deus". Isto facilita nossa abordagem e torna didática a nossa exposição. 

        Atributos Intelectuais: Conhecimento, Sabedoria e Verdade.
        Atributos Morais: Bondade, Santidade e Justiça.
        Atributos de Soberania: Vontade e Poder.



Atributos Intelectuais

Atributos intelectuais tratam especialmente da mente de Deus. Evidentemente, faremos uma abordagem um tanto superficial e incompleta. Mas, mesmo que centenas de aulas fossem gastas neste tema, ou em um único atributo, não seria possível esgotar uma investigação da mente de Deus por dois motivos: a mente de Deus é infinita e é impossível ao finito (nós e nossa mente) conter o infinito; em segundo lugar é porque mesmo que nos detenhamos na especulação a partir da revelação especial (as Escrituras) e nela investiguemos todas as páginas, parágrafos e palavras que apontem para estes atributos, ainda sim ela não diz tudo sobre a mente de Deus e o que diz, tem tão elevada profundidade e complexidade que ainda sim, terminariamos por não esgotá-la no que diz, pois é uma Palavra Viva.

O CONHECIMENTO DE DEUS

Por este atributo do ser divino, podemos afirmar que é, aquele atributo que o qualifica como o possuidor de todo o conhecimento, de si e de todas as coisas que criou. Não existe nada que Deus não conheça, nada lhe foge ao entendimento, até mesmo aquelas coisas que um cientista acabou de inventar Deus já conhecia, e já dominava mesmo antes de ser pensada pelo cientista.
Sem nenhum medo de errar, podemos afirmar: “Deus conhece todas as coisas”.
A NATUREZA DO CONHECIMENTO DE DEUS
É bastante diferente da natureza do nosso conhecimento. Sim, porque nós quando necessitamos conhecer algo, temos que vê-lo, tocá-lo, percebê-lo. Nós não temos a capacidade de conhecer aquilo que não nos foi apresentado, ou aquilo que ainda não existe, pois o nosso conhecimento se limita à nossa experiência.
No caso deste atributo em Deus, é diferente, Deus conhece tudo mas Ele não depende de nada para conhecer. Por exemplo: Ele não depende de que eu exista para Ele me conhecer, desde tempos eternos Deus me conhecia, e conhecia você também, e conhecia todas as coisas, e conhecia a si próprio (leia Romanos 8:29).
O ALCANCE DO CONHECIMENTO DE DEUS
O Conhecimento de Deus é perfeito no seu alcance, pois Ele conhece todas as coisas. Neste sentido tal conhecimento é também chamado de ONISCIÊNCIA, porque abrange tudo ao mesmo tempo.
Podemos afirmar que o conhecimento de Deus é infinito (leia Salmo 147:5). E não há lugar em que seu conhecimento não possa penetrar (Daniel 2:22), o homem se assusta com tal conhecimento e reconhece sua grandeza (Salmo 139: 1 à 6), nada consegue fugir ao seu alcance (Hebreus 4: 13), até mesmo os profundos sentimentos do coração humano ( 1 Samuel 16: 7; 1 Cronicas 28: 9).

“Enganoso é o coração, mais do que todas as cousas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?”.
Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações”.
Jeremias 17: 9 e 10

Este atributo de Deus é por demais especial para nós crentes presbiterianos. Pois irmãos, quando passamos a ter uma compreensão correta deste atributo e do seu alcance, percebemos que não podemos mais viver uma vida fingida diante de um Deus que tudo sabe.
Gostaria de incentivá-lo a ter uma vida de sinceridade, diante de todos, abandonando de uma vez por todas a mentira e o engano, pois estas coisas só nos tornam tolos. Pois que adianta agradar aos homens com nossas falsificações e mentiras e omissões, uma vez que diante de Deus nunca estamos ocultos !?
Os outros homens procuram se esquecer desta realidade, a de que Deus tudo conhece, e vivem como se pudessem omitir de todos os sentimentos que carregam consigo, no profundo da alma, eu repito, isso é uma tolice, é viver cegamente.

“Diante de Ti puseste as nossas iniquidades e, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados”.
Salmo 90: 8

É preciso ressaltar, que Deus conhece todas as coisas, pois Ele é Onisciente, inclusive aquelas que ainda não existem. A Bíblia ressalta o conhecimento de Deus de forma grandiosa.

b) A SABEDORIA DE DEUS

Embora muitos confundam sabedoria com conhecimento, eles não são a mesma coisa. No conhecimento Deus revela seu entendimento sobre todas as coisas, e sobre si próprio, em sua sabedoria Deus revela sua perfeição em adaptar tudo para que todas as coisas que ocorrem, ocorram para a Sua própria glória. Isto se passa de tal forma, que em todas as coisas (mesmo naquilo que nós homens avaliamos como negativo) Deus é glorificado e Seu plano executado segundo a sua vontade.
Assim sendo poderíamos definir a sabedoria de Deus da seguinte forma: a sabedoria de Deus é o Seu atributo, por meio do qual, Ele aplica o seu conhecimento para obter aquilo que Ele próprio planejou, da melhor maneira possível, pelo melhor meio possível, para que seja glorificado.
A NATUREZA DA SABEDORIA DE DEUS
Semelhantemente ao conhecimento, a sabedoria de Deus é diferente da do homem. A sabedoria do homem, é adquirida conforme a sua vivência, conforme adquire conhecimento, conforme vai tendo experiências. Poderíamos então dizer que o homem não é sábio em sua essência[1] ( leia 1 Samuel 2: 3, Daniel 2: 20).
Contudo Deus não precisou viver muitos anos para adquirir sua sabedoria. Na verdade desde sempre Ele foi sábio. Sua sabedoria é algo essencial nEle, sem ela, Ele não seria Deus. Portanto podemos dizer que Deus é sábio eternamente.
Para nós faz muita diferença, quando entendemos que Deus é sábio de forma absoluta. Pois isto nos leva à uma atitude reverente diante de todas as circunstancias da vida.
Como por exemplo, nos casos extremos de morte em nossa família. Todos nós nos comovemos sentimentalmente, choramos, nos abatemos, e é claro nos entristecemos por demais. Ao poder refletir mais folgadamente sobre o acontecimento e refletir sobre a sabedoria de Deus e sua extensão, uma pergunta é necessária:
Se eu pudesse decidir nesta questão, eu seria mais sábio do que Deus em minha decisão? Seria mais sábio manter com vida, aquele que Deus sabiamente resolveu que morresse?
É evidente, que isto não elimina nossa tristeza, contudo sem dúvida alguma essa visão do atributo de SABEDORIA de Deus, não nos permite desesperar. E não somente nestes casos extremos, mas em todas as outras circunstâncias, desde aquelas mais simples como cortar um dedo descascando cebolas, até as mais complexas como um casamento ou uma cirurgia.

“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis teus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” Romanos 11: 33


c) A VERDADE DE DEUS

Este atributo de Deus pode ser entendido de duas formas:
Primeiro: Deus é a verdade no sentido de que Ele é o único Deus vivo e verdadeiro. Assim sendo, qualquer culto à outro Deus que não o Deus da Bíblia, é um culto à mentira, pois a verdade é que Deus é o único Deus.
Em segundo lugar podemos ver este atributo, pelo aspecto da ação de Deus. Vendo assim, podemos dizer que tudo aquilo que Deus disse é verdade. Esta visão está ligada às Escrituras, pois as promessas de Deus para o homem estão “todas”, contidas na Escritura. Por isso nós crentes presbiterianos damos tanta ênfase à Bíblia, pois cremos que ela é a verdade de Deus revelada ao homem, para a sua salvação e conduta.

“Santifica-os na verdade, a Tua palavra é a verdade”.
João 17: 17.

Este atributo de Deus é também descrito como sendo a fidelidade de Deus, ou a fidedignidade de Deus, que são aspectos de sua verdade. Deus é fiel àquilo que disse, porque o que disse é verdade, Deus é fidedigno, ou seja, podemos crer nEle porque o que diz é verdade.

Percebam que a verdade de Deus, não é uma conseqüência da sua ausência de mentiras. 
Deixe-me explicar melhor: Um homem é verdadeiro, e confiável quando vemos que ele não é um mentiroso e falso. Ou quando observamos que tudo o que ele diz procura cumprir.
No caso de Deus é diferente, Ele é verdadeiro em sua essência. Mesmo que Ele nunca fizesse uma única promessa, Ele seria verdadeiro. Ou mesmo que não existisse nada, para provar a sua fidelidade, Ele seria fiel. Deus é a própria verdade.
Pelo lado prático, conhecer este atributo muda a maneira de encararmos as Escrituras. Pois se elas são a verdade de Deus revelada, passam a ser uma regra de vida. O que tem faltado nas Igrejas de um modo geral é este posicionamento diante das Escrituras, ou seja, crer que o que a Escritura diz, há de se cumprir, todas as suas promessas, e todas as suas maldições, todo o plano de Deus para a salvação, e toda a descrição dos que serão lançados no lago de fogo e enxofre, todas as penalidades pela desobediência, como as bem aventuranças decorrentes da obediência, enfim a Bíblia não pode ser considerada somente como um livro de histórias morais importantes, ou mais uma boa filosofia de vida. A VONTADE DE DEUS REVELADA - A BÍBLIA: É A VERDADE, que reflete o carácter do Deus que a inspirou.

“Deus não é um homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa. Porventura, tendo Ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?”
Números 23: 19

Estão aqui expostos os atributos intelectuais de Deus, que são uma parte dos seus atributos comunicáveis. Insisto em dizer que Deus não é um ser divisível, pois é um só unitário e singular; contudo esta é uma divisão somente para efeito didático, não pense que Deus pode agir somente com sabedoria, mas sem verdade, isso não é possível. Todas as ações de Deus e todos os seus desejos são completamente sábios, completamente verdadeiros e todos são executados com perfeito entendimento.